Pare de usar os termos "índio" e "tribo"
Aproveitando este espaço que criamos para expor nosso trabalho, achamos importante trazer algumas informações cruciais, não só sobre a "lenda capixaba", mas também como se referir aos povos originários. Ainda vemos muitas pessoas usando termos que hoje são repudiados por organizações indígenas.
Pare de usar os termos "índio" e "tribo".
Ao invés de tribo, use "povo", "comunidade", "nação" ou "etnia". Ao mencionar uma pessoa indígena, indique o nome do povo ou os termos "indígena", "nativo" ou originário".
Não se aproprie das culturas indígenas.
Cada pintura (grafismos) tem seus significados e usos, que variam em cada povo e tradição. Usar cocar não é fantasia, e muito menos homenagem.
Texto de um post da página Visibilidade Indígena (VI) no Instagram
O que é esse estereótipo racial do "índio"?
Descrições físicas: cor e textura de cabelo (liso preto), tom de pele ("pardo" - Pero Vaz de Caminha, rs), formato e cor dos olhos (puxados e preto), altura (baixo), peso (magro), etc.
Descrições sociais e culturais: "primitivo", "selvagem", "atrasado", "hostil", incapacidade de se auto administrar, capacidade intelectual reduzida, humanidade questionada e/ou negada, categoria social transitória, "canibalismo" [sic], "exótico", "não fala português", "anda nu", nível de "indigenidade", "só vive no meio do mato", isolado, "purismo racial", sem contato com as culturas e tecnologias não-indígenas, etc.
São diversas descrições que foram feitas ao longo dos séculos para construir a figura alegórica do "índio". Muitas ainda são reproduzidas atualmente. Essas descrições dos europeus para inventar o "índio" foram uma forma de promover a noção de inferioridade sobre nós para que, assim, subjugassem os povos e colonizassem o território.
Essas descrições caracterizam o processo de racialização do "índio". E "raça" foi/é uma ferramenta de dominação colonial, constituindo vários processos de dominação que foram utilizados de diversas maneiras ao longo dos séculos, conforme a vontade dos invasores e da elite branca [3].
É importante saber que "Índio" foi uma nomenclatura inventada para designar populações nativas desse território, que vem carregada de processos violentos durante séculos. E que adquire novos formatos de estigma e de marginalização, por exemplo, para além da ideia de inferioridade. Nesse sentido, colocar em evidência as ferramentas utilizadas para construir o sistema de dominação colonial contra povos indígenas é uma forma de proporcionar a reflexão em torno do que se foi repassado pelas gerações e possibilitar mudanças de postura, comportamento e pensamento e, também, auxiliar na construção de um modelo de sociedade antirracista.
É importante saber que "Índio" foi uma nomenclatura inventada para designar populações nativas desse território, que vem carregada de processos violentos durante séculos. E que adquire novos formatos de estigma e de marginalização, por exemplo, para além da ideia de inferioridade. Nesse sentido, colocar em evidência as ferramentas utilizadas para construir o sistema de dominação colonial contra povos indígenas é uma forma de proporcionar a reflexão em torno do que se foi repassado pelas gerações e possibilitar mudanças de postura, comportamento e pensamento e, também, auxiliar na construção de um modelo de sociedade antirracista.
Apontar as manifestações do racismo anti-indígena na sociedade atualmente não significa que as pessoas usem "índio" por pensarem que somos as descrições mencionadas [ou outras].
O racismo não surgiu ontem. Então, para entender os motivos de algo ser racista, é preciso compreender os processos socioculturais e históricos envolvidos em cada situação Por isso, embora o uso do termo não seja necessariamente em referência às descrições faladas, não dá para desvencilhar ou apagar a história.
Texto por: Lai (@munihin_). Áreas de pesquisa: sociologia das relações étnico-raciais e encarceramento indígena
Fonte: "o que é esse estereótipo racial do "índio"?
Acompanhe o trabalho de indígenas pela rede social. A rede social é uma forma fácil e rápida de acompanhar os trabalhos e cotidiano de outras pessoas, desse modo, apenas observando, já conseguimos aprender um pouco e sair de nossa bolha na rede social. Porém, não esqueça de ouvir e ajudar essas pessoas a serem ouvidas. Do mesmo jeito que você compartilha os projetos dos seus amigos, faça o mesmo com aqueles que poderiam receber mais atenção e prestígio também!
Alguns trabalhos:
Hãmãgãy – maternidade indígena durante a quarentena by Cultura UFMG - issuu
Rec Tyty – Festival de arte indígena
Algumas páginas para seguir:
Twitter:
Hãmãgãy @pedejatoba
Dário Kopenawa Yanomami @Dario_Kopenawa
Karibuxi @Karibuxi
Alice Pataxó @alice_pataxo
Dinamam Tuxá @Dinamam
Francisco Piyãko @franciscopiyako
Daniel Munduruku @DMunduruku
Emerson Pataxó @emersonpataxo
Lai @munihin_
Tukuma Pataxó @tukuma_pataxo
Texto de um post da página Visibilidade Indígena (VI) no Instagram:
Não queremos ser lembrados apenas uma vez no ano, queremos que o mundo saiba sobre nossa resistência diária, para vivermos em paz em nossas terras. Queremos o fim do suicídio de nossa juventude (que é três vezes maior do que da média nacional); queremos o fim do garimpo, da invasão de terras, do genocídio e etnocídio; queremos que nossa existência seja reconhecida sem a ideia de corpos folclóricos — queremos ser reconhecidos como seres humanos pertencentes a povos diversos e plurais, que possuem as suas próprias culturas e línguas; queremos a valorização de nossas cosmovisões e modos de vida milenares. Nós somos os guardiões das florestas e das culturas originárias desse planeta. Não queremos palmas, queremos respeito.
Texto: Naomy (@naomyby)
Texto por: Lai (@munihin_). Áreas de pesquisa: sociologia das relações étnico-raciais e encarceramento indígena
Fonte: "o que é esse estereótipo racial do "índio"?
Acompanhe o trabalho de indígenas pela rede social. A rede social é uma forma fácil e rápida de acompanhar os trabalhos e cotidiano de outras pessoas, desse modo, apenas observando, já conseguimos aprender um pouco e sair de nossa bolha na rede social. Porém, não esqueça de ouvir e ajudar essas pessoas a serem ouvidas. Do mesmo jeito que você compartilha os projetos dos seus amigos, faça o mesmo com aqueles que poderiam receber mais atenção e prestígio também!
Alguns trabalhos:
Hãmãgãy – maternidade indígena durante a quarentena by Cultura UFMG - issuu
Rec Tyty – Festival de arte indígena
Algumas páginas para seguir:
Twitter:
Hãmãgãy @pedejatoba
Dário Kopenawa Yanomami @Dario_Kopenawa
Karibuxi @Karibuxi
Alice Pataxó @alice_pataxo
Dinamam Tuxá @Dinamam
Francisco Piyãko @franciscopiyako
Daniel Munduruku @DMunduruku
Emerson Pataxó @emersonpataxo
Lai @munihin_
Tukuma Pataxó @tukuma_pataxo
Texto de um post da página Visibilidade Indígena (VI) no Instagram:
Não queremos ser lembrados apenas uma vez no ano, queremos que o mundo saiba sobre nossa resistência diária, para vivermos em paz em nossas terras. Queremos o fim do suicídio de nossa juventude (que é três vezes maior do que da média nacional); queremos o fim do garimpo, da invasão de terras, do genocídio e etnocídio; queremos que nossa existência seja reconhecida sem a ideia de corpos folclóricos — queremos ser reconhecidos como seres humanos pertencentes a povos diversos e plurais, que possuem as suas próprias culturas e línguas; queremos a valorização de nossas cosmovisões e modos de vida milenares. Nós somos os guardiões das florestas e das culturas originárias desse planeta. Não queremos palmas, queremos respeito.
Texto: Naomy (@naomyby)
"Dia do índio? Aprendam: não existe para nenhum indigena no Brasil. O que temos é uma necropolítica que dura 520 anos nesta patria que não nos pariu de verdade, povos indígenas são nações mas nunca foram reconhecidas nesse solo por aquilo que são, mas transformadas na fantasia do colonizador "o índio". Mudam os anos mas a falta de escuta e descaso permanecem. (...) Precisamos escrever uma nova história, nada vai ser como antes e não podemos permanecer os mesmos. Estamos em movimento, somos movimento e vida que brota na Terra" — Renata Tupinambá (@aratykyra)



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